A caminho do 8M: na ambição da luta toda!

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Beatriz Pedroso e Teresa Martins


O movimento feminista é construído pela diversidade, somos muitas e diversas, e sabemos que a luta só faz sentido se chamar toda a gente e apoiar toda a gente. A luta feminista, para a qual gostaríamos de mobilizar todas as pessoas, torna-se mais rica e mais completa se for transinclusiva, pro direitos, antirracista, anticapacitista, anticapitalista, antifascista e articulada com a justiça climática! 

A nossa luta é feita através e com esta diversidade, baseada na ideia radical da igualdade de oportunidades para todas as pessoas, porque só assim a luta faz sentido. Dizia Marielle Franco que somos “diversas, mas não dispersas”. É com uma perspetiva que sustenta uma ação interseccional das lutas que vamos, de forma consequente, e afetiva, caminhar no sentido de uma sociedade mais justa e inclusiva para todas as pessoas, livres do domínio patriarcal, capitalista e colonialista.

Diariamente ainda vemos os nossos direitos ameaçados e sentimos que vivemos tempos inquietantes, nos quais avanços civilizacionais conquistados, em grande medida pelas lutas decorrentes dos movimentos sociais, começam a ser ameaçados! Não toleramos a possibilidade de recuo em nenhum direito conquistado e reivindicamos ainda com mais força todo o caminho que está por fazer! 

A Greve Feminista Internacional surge como resposta à necessidade de existir um movimento que una todas as lutas, numa abordagem inevitavelmente interseccional, em que a nossa diversidade e características concretas são visibilizadas e potenciadas porque é aqui o espaço de construção da sociedade que queremos, ondo todas somos consideradas e respeitadas Só quando as nossas diferenças são reconhecidas e os problemas e discriminações concretas que decorrem dessas especificidades deixam de ser invisíveis é que se podem encontrar caminhos para as combater. É sempre mais difícil combater o que não é visível, reconhecido e assumido como problema, seja porque não afeta diretamente a vida de outras pessoas, ou porque falta consciência política das suas implicações, ou porque abala as estruturas de poder que sistemática e estrategicamente têm vindo a reforçar hierarquias entre indivíduos.

As ameaças que sofremos enquanto mulheres não param de crescer. Somos as primeiras a ser afetadas em situações de crise. A situação pandémica que atravessamos só veio intensificar ainda mais as dificuldades que as mulheres enfrentam diariamente na sociedade, seja porque os nossos setores de trabalho foram os primeiros a sofrer despedimentos em massa, seja porque somos as primeiras na linha da frente dos cuidados, profissionalmente ou em casa, seja pela ascensão da extrema-direita a que assistimos na contemporaneidade, que tem na supremacia masculina branca a sua bandeira. 

Por tudo isto é urgente trazer a debate, tornar visíveis fatores de discriminação que todos os dias nos limitam, como o racismo, o capacitismo, a transfobia, o idadismo, ou tantas outras manifestações deste sistema patriarcal, capitalista, colonialista e que se sustenta numa hierarquia que coloca em desvantagem mulheres, pessoas racializadas, pessoas com deficiência, pessoas mais velhas e tantas outras.  

Existem diversas palavras que podem descrever o movimento feminista: revolucionário, urgente, marcante, incomodativo, reivindicativo, radical… Queremos e assumimos todas, as palavras e as pessoas, sem medo e sem exceção!