A Convenção do Bloco vista por jovens

A Convenção do Bloco de Esquerda não é só
o órgão soberano do partido. Acima de tudo, constitui um longo processo
de debate, de organização e de militância. Trata-se do momento de
discussão mais plural e alargado, tanto nos dois dias da Convenção, como
em todo o seu processo. Mas o potencial democrático da Convenção não
advém apenas dos mais variados debates. Ele advém também da oportunidade
de integração de quem chegou ao Bloco há pouco tempo, proporcionando um
espaço de participação e construção do partido a nível nacional,
cruzando experiências e possibilitando a criação de laços entre
camaradas de vários lugares, contrariando o isolamento e acantonamento
de quem até aí não tinha tido oportunidade de ver e estar no Bloco no
seu todo. A Convenção espelha muito do que é o Bloco e a participação
dos e das camaradas mais jovens, nos mesmos termos de qualquer aderente,
representa, por sua vez, outro fator democrático: não atribuímos
direitos políticos consoante a idade. Todos e todas estamos em pleno
exercício dos nossos direitos e a participação de jovens é crucial para a
democratização do debate. É disso que nos falam estes três depoimentos
de jovens participantes na Convenção. 


Leonor Rosas, Lisboa 

A XI Convenção do Bloco foi a minha
primeira Convenção. Representou uma experiência de democracia interna e
de debate de diferentes pontos de vista que foi extremamente
enriquecedora para mim, tanto como militante, como cidadã. Os dois dias
foram vivos em partilha de experiências de luta e permitiram uma
aprendizagem através das vivências de outros camaradas. A Convenção foi
também um momento de aprendizagem acerca do funcionamento interno do
Bloco e de participação democrática nas suas estruturas. Foi fundamental
para mim, como militante, ver o meu partido como um espaço aberto a
diferentes opiniões e pontos de vista e que aceita um constante debate
como algo construtivo. A Convenção foi um espaço que se revelou como
espaço de aceitação e partilha, assim como de desenvolvimento e
construção de uma verdadeira alternativa de esquerda. De um ponto de
vista mais pessoal, esta ocasião revelou-se frutífera para estabelecer
relações de camaradagem e para aprender com as experiências de luta dos
outros, simultaneamente, partilhando experiências e preocupações
pessoais. Para concluir, faz sentido sublinhar que a Convenção foi um
momento crucial e ampliou a minha vontade de participação e de
envolvimento nas lutas futuras que o Bloco travará. 


Diogo Alexandre, Setúbal

A minha experiência enquanto delegado
eleito pela primeira vez à Convenção foi, no geral, muito boa. Para mim,
a Convenção foi um espaço de intervenção democrática, onde,
independentemente da idade, discuti e tive a oportunidade de votar e ter
voz no futuro do partido, bem como no rumo que devemos tomar. O combate
ao fascismo, ao neoliberalismo e a recusa de uma submissão ao
liberalismo social foram os temas cuja abordagem e discussão achei mais
importantes. A Convenção demonstrou que o Bloco de Esquerda é um partido
pronto para crescer e ganhar mais espaço político, longe do centrismo
apático, e uma força de combate ao conservadorismo e extrema-direita.


Mariana Olho Azul, Amadora

Tal como muitxs outrxs jovens, esta foi a
primeira Convenção em que participei. Foi também onde se elegeram oito
jovens para a Mesa Nacional. Para o Bloco, enquanto partido que rejeita
uma juventude partidária, a participação de jovens ativistas na sua
estrutura interna é fundamental. Apesar da ainda bastante atual visão
paternalista sobre xs jovens na política, esta Convenção serviu para
confirmar que, para além de política educativa, debatemos também temas
como a precariedade laboral, a habitação, a causa ambiental, e tantas
outras que nos inquietam. Esta Convenção, para além de mostrar que, no
Bloco, xs jovens também contam quando se trata de decidir sobre o futuro
do partido, serviu também para enriquecer o debate em temáticas LGBTQ+,
feministas, ou as que mencionei acima, tal como para conhecer o
funcionamento interno do partido, as suas estruturas e fortalecer
relações de camaradagem. Foram dois dias bastante intensos, com debates
mais acesos, mas que serviram principalmente para mostrar que no Bloco
ninguém fica para trás. Fazer as lutas todas. Com toda a gente.