A extrema-direita na Europa

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Artigo de Luís Leiria.

A extrema-direita pode vir a ser um grupo no Parlamento Europeu maior do que o dos social-democratas e socialistas. Mais vale, portanto, não enterrar a cabeça na areia. No mapa seguinte, separamos os partidos que governam ou determinam governos (itália, Áustria, Hungria, Polónia, Suíça, Dinamarca) e os que, não sendo governo, têm já uma expressão importante (França, Holanda, Alemanha, Suécia, Grécia, Finlândia, Rússia, República Checa, Eslováquia). Nos próximos números discutiremos como responder aos neofascistas.

Partidos de extrema-direita que integram o governo ou fazem parte da sua base de apoio:

Itália: O recém-formado governo do Movimento 5 Estrelas (32,6%) e da Liga Norte (17,3%) demonstrou ao que veio logo após a tomada de posse (1/6/2018), com o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, da Liga Norte, a advertir que os migrantes sem-papéis, que apelida de «carne humana», deviam «fazer as malas e partir» e a proibir a entrada no país de, até ao momento, dois barcos: Aquarius, com 629 refugiados, e Lifeline, com 224.

Áustria: O governo de coligação entre o conservador Partido Popular Austríaco (ÖVP, 31,5% nas eleições de 2017) e o Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema-direita (26%), formado em dezembro de 2017, anunciou como uma das suas principais políticas a recusa em receber refugiados.

Hungria: Com 49,2% nas eleições deste ano, o Fidesz (Partido Popular Democrata Cristão), do primeiro-ministro Viktor Orbán, conseguiu manter os do parlamento. O 2.º maior partido é o neonazi Jobbik (Movimento por uma Hungria Melhor). Orbán foi o responsável pela construção das barreiras que impediram a entrada de refugiados sírios no país. A 20 de junho deste ano, Dia Mundial dos Refugiados, o parlamento aprovou um pacote legislativo que torna crime prestar auxílio a quem entre no país sem documentos legais – mesmo que para pedir asilo.

Polónia: O partido da Ordem e da Justiça (PiS) venceu as eleições em 2015 com 37,5%, o sufi ciente para a maioria absoluta. Trata-se de um partido anti-imigração, contrário aos direitos das mulheres e dos homossexuais, que apoia a política do Fidesz da Hungria, tendo o seu presidente, Jaroslaw Kaczynski, chegado a dizer que virá o dia em que «teremos uma Budapeste em Varsóvia». Em novembro de 2017, no dia da independência da Polónia, ocorreu uma concentração da extrema-direita que agrupou a nata dos movimentos nacionalistas, suprematistas brancos, islamofóbicos e xenófobos da Europa, reunindo cerca de 60 mil pessoas. Nenhum partido de centro-esquerda ou esquerda tem representação no parlamento.

Suíça: O Partido Popular Suíço, conservador e com uma política fortemente xenófoba, foi o mais votado nas eleições federais de 2015, com 29,4%. Em 2010 e 2014, respetivamente, fez aprovar em referendo duas iniciativas: a expulsão dos imigrantes que forem condenados por crime e uma política contra a imigração em massa.

Dinamarca: O governo minoritário do Venstre (liberal), da Aliança Liberal e dos Conservadores depende, para governar, do apoio do Partido Popular Dinamarquês, da extrema-direita xenófoba (21,1% nas últimas eleições, 2015).

Partidos sem responsabilidades de governo:

Finlândia: O Partido dos Finlandeses obteve 17,6% dos votos nas eleições de abril de 2015 e foi o segundo mais votado. Fez parte da coligação de governo entre os partidos do centro e da Coligação Nacional entre 2015 e 2017, quando uma crise política levou à cisão de 20 dos seus deputados e o partido passou para a oposição. Nas presidenciais de janeiro de 2018, a candidata do partido obteve 6,9% dos votos.

França: A candidata Marine Le Pen obteve 21,3% dos votos nas eleições presidenciais de 2017 e o seu partido, Frente Nacional, conquistou 13,2% dos votos nas legislativas.

Holanda: O Partido da Liberdade, com 13,1% dos votos nas eleições de março de 2017, é o 2.º maior partido do parlamento.

Alemanha: O Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 12,6% dos votos nas eleições federais de setembro de 2017, entrando pela primeira vez no parlamento, com 94 deputados.

Suécia: O Democratas Suecos obteve 12,9% nas eleições de setembro de 2014, tornando-se o 3.º maior partido do país.

Grécia: O Aurora Dourada obteve 6,9% nas eleições de 2015.

Rússia: O Partido Democrático Liberal da Rússia, de Vladimir Jirionovski, obteve 13,2% dos votos nas eleições legislativas de 2016.

Eslováquia: O Partido Popular Nossa Eslováquia obteve 8% nas eleições de 2016.

República Checa: O Partido da Liberdade e Democracia Direta obteve 10,6% nas eleições legislativas de 2017.