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Artigo de Sofia Oliveira, Ana Rita Dias e Pedro Loução.


No passado dia 15 de março, milhões de jovens e estudantes em todo o mundo fizeram greve pela justiça climática. Fizemos greve porque o nosso futuro está em risco e não podemos estar à espera de uma salvadora ou de um salvador climático. Os problemas com que hoje nos defrontamos foram causados por um sistema capitalista que tudo faz para se reproduzir.

Como disse Greta Thunberg, “não podemos resolver a crise sem tratá-la como uma crise. Temos de manter os combustíveis fósseis debaixo do solo e temos de focar-nos na igualdade. E se as soluções dentro do sistema são tão impossíveis de encontrar, então talvez tenhamos de mudar o sistema”.

Somos jovens e os nossos governantes estão sentados numa cadeira pensando que estão a fazer o melhor para o nosso futuro. Não estão, estão a degradá-lo cada vez mais, estão a retirar tudo o que podem para seu próprio benefício e do sistema, nunca em prol da população. Somos jovens e não é por isso que não podemos lutar contra aquilo que consideramos injusto.

Somos jovens e vemos o nosso futuro e o das próximas gerações em risco. Reivindicamos a democratização dos transportes públicos, através da sua gratuitidade e neutralidade carbónica, até 2030 – não é possível esperar por 2050. Temos de travar a exploração dos combustíveis fósseis agora, queremos isto e muito mais. A justiça climática é uma luta intersecional, porque as alterações climáticas são o principal desestabilizador da natureza, mas também das sociedades e comunidades humanas. Não é possível lutar pela justiça climática sem falarmos de todas as lutas sociais.

Organizar uma greve estudantil foi difícil, porém, foi produtivo e fez-nos ver que existem mais jovens que não se conformam com as políticas e as medidas dos governos neoliberais. A expectativas quanto ao número de pessoas que iria aderir apontavam para números pequenos, mas foram quase 20 mil os e as estudantes que em Portugal faltaram às aulas para darem uma lição ao mundo ao manifestarem-se pelo clima. Queremos ganhar um futuro justo para toda a gente. Nas próximas décadas tudo vai mudar: ou somos nós que mudamos tudo ou o capitalismo destruirá o planeta e alimentará a extrema-direita, que diz querer mudar o sistema, e, se o fizer, mudá-lo-á contra nós. O problema tem de ser resolvido agora, para evitar que os fenómenos climáticos anormais e a escassez absoluta deixem de ser pontuais para passarem a ser a constantes.

Somos diferentes, mas unimo-nos pela justiça climática!


*Sofia Oliveira e Ana Rita Dias são estudantes universitárias e Pedro Loução é estudante no ensino secundário, na Grande Lisboa. São ativistas da greve climática