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O que é?

O Acampamento Internacional de Jovens Revolucionárias é o ponto de encontro de centenas de militantes e ativistas de diferentes países. É organizado pela IVª Internacional e teve a sua primeira edição em 1984. Este ano é no Estado Espanhol, perto de Segóvia.

O programa político do acampamento foi proposto, debatido e acordado democraticamente nos meses anteriores. Cada dia tem uma temática concreta, e a maior parte das atividades é desenvolvida em seu torno.

As participantes de cada país organizam-se em delegação. Cada delegação tem reuniões próprias nas quais se explicam as questões práticas e políticas de cada dia.

O acampamento é um espaço autogerido. Por conseguinte, são distribuídas diferentes tarefas às delegações, para que colaborativamente se garanta o bom funcionamento do espaço.

O acampamento tem uma moeda própria, de modo a que todas as participantes possam estar em igualdade, independentemente do seu país de origem e do seu rendimento.

Como funciona?

O acampamento organiza-se em diferentes espaços:

As formações são o espaço político central de cada dia e o seu objetivo é explicar algumas noções políticas centrais. São dinamizadas por uma pessoa de referência, com vasta experiência e conhecimento sobre o tema em debate. Neste espaço existe tradução simultânea para cinco línguas: inglês, francês, dinamarquês, italiano e castelhano.

As oficinas acontecem simultaneamente e são apresentadas pelas participantes das diferentes delegações. Podem ter um caráter teórico, prático ou ser um relato de uma experiência política concreta. Estão relacionadas com a temática do dia, mas tratam as mais diversas questões. Aqui, caso seja necessária tradução, ela terá de ser assegurada pelas participantes da oficina.

As reuniões inter-delegações são o espaço onde é possível informar sobre a situação política do país de origem e escutar sobre a situação, as mobilizações e as experiências de construção política em outros lugares.

O espaço de mulheres consiste num lugar físico concreto ocupado de forma permanente durante todo o acampamento. É um espaço seguro, não-misto, no qual se desenvolvem diversas atividades. O conteúdo político centra-se na partilha de experiências e análises para a construção do movimento feminista anticapitalista e internacionalista.

O espaço LGBTI+ é também um espaço físico permanente. Acolhe atividades que podem ou não ser mistas e que se centram sobre a questão de como nos relacionamos com o nosso género e orientação sexual, nas discriminações sofridas e no desafio da construção de um movimento LGBTI+ crítico e revolucionário.

Que debates estão previstos?

Ecossocialismo

Formação: Entre o Green New Deal e as mobilizações climáticas estudantis. A emergência de um movimento? Uma perspetiva ecossocialista

Oficinas: 1. Perspetivas internacionais das greves climáticas; 2. Ecofeminismo; 3. Soberania alimentar e antiespecismo; 4. Extinction Rebellion; 5. Agroecologia entre o campo e a cidade: a experiência Jackson; 6. O impossível capitalismo verde e a importância da classe trabalhadora; 7. A luta contra as grandes explorações pecuárias; 8. Os coletes amarelos aos olhos dos ecologistas; 9. A relação entre as greves climáticas e as greves feministas; 10. Catástrofes climáticas

Feminismo

Formação: Elementos para um feminismo internacionalista

Oficinas: 1. A luta pelo direito ao aborto; 2. Economia feminista; 3. Greves feministas na Suíça; 4. Auto-organização e direitos sindicais das trabalhadoras sexuais; 5. A luta pelo aconselhamento feminista e LGBTQI+; 6. Autodefesa feminista; 7. Assédio sexual nas universidades; 8. A greve estudantil no 8M; 9. Trabalho emocional; 10. Reação conservadora do patriarcado perante o movimento feminista; 11. A história do 8 de março

Jovens e classe

Formação: A defesa das nossas cidades: mercantilização, especulação e habitação

Oficinas: 1. Como politizar uma festa?; 2. Saúde mental na juventude; 3. Sindicalismo feminista; 4. Cultura urbana, juventude e consciência de classe; 5. O direito à cidade e o proletariado urbano; 6. Avaliação do processo revolucionário no Magreb e Mashreq; 7. Espaços juvenis de autodefesa laboral; 8. Habitação e gentrificação; 9. Sindicalismo estudantil; 10. Os coletes amarelos; 11. A situação no Brasil

Luta LGBTI+

Formação: Luta e resistência do movimento LGBTI+ contra a ascensão da extrema direita

Oficinas: 1. Lésbicas e gays apoiantes das migrantes; 2. O movimento feminista dentro do movimento LGBTI+; 3. Experiências de construção de Orgulhos críticos; 4. Mundo rural e coletivos LGBTI+; 5. Transmisoginia nas nossas organizações; 6. Fronteira trans: patologização, leis e visibilidade; 7. Educação sexual/de-sexualizar os espaços queer; 8. PrEP: o que é e o que se passa; 9. Relações poliamorosas; 10. Pinkwashing e homonacionalismo

Migrações, Antirracismo e Antifascismo

Formação: A luta antirracista, auto-organização e resistência

Oficinas: 1. Gronelândia; 2. Solidariedade com as refugiadas e migrantes; 3. Imperialismo suíço e neocolonialismo; 4. Apartheid na Palestina; 5. Experiência dos MENA; 6. Islamofobia e antissemitismo; 7. O que fazer com os símbolos do colonialismo; 8. Experiências de apoio mútuo e solidariedade entre pessoas migrantes e nativas; 9. China e o novo imperialismo; 10. Os campos-prisão na Líbia, a cumplicidade italiana e a indiferença da União Europeia

Partido e estratégia

Formação: Organizar as jovens: que organizações para que movimento

Oficinas: 1. Boicote de eventos culturais como a Eurovisão; 2. Marxismo e populismo; 3. Experiências de construção da greve feminista; 4. Reforma ou revolução; 5. Lutas sociais e incapacidades; 6. Eurexit – que alternativas tem a esquerda?; 7. Como usar as redes sociais para o ativismo político?; 8. Organização de campanhas e estratégias; 9. Construindo movimentos ecológicos transnacionais (Fridays for Future); 10. Mobilização comunitária em situações de despejo; 11. O que podemos esperar das revolucionárias do DSA e Sanders nos EUA?; 12. A situação no leste da Ucrânia