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Artigo de Andreia Galvão e Sofia Oliveira.


O cenário pandémico – esta nova realidade que desregulou as nossas vidas – provocado pelo covid-19 levou a uma profunda reflexão sobre as estruturas nas quais assenta o nosso quotidiano. De repente, e fora dos círculos habituais da esquerda, a noção de que o capitalismo é um sistema podre, sem respostas para a classe trabalhadora, começava a ganhar algum protagonismo.

Da análise desta situação e da consciência de que a globalidade dos problemas provocados pelo sistema capitalista só pode ser colmatada através de uma ação concertada internacionalmente, o coletivo RUA, do Brasil, oferece-nos o mote inicial para uma campanha global.

No manifesto do coletivo, encontramos o seguinte objetivo: “É preciso uma nova cultura política dentro da esquerda. Aliar a combatividade, a democracia, o combate a todas as formas de opressões no movimento e a criatividade é central para a reconstrução de um projeto de sociedade sem exploração e opressão.”

É da prioridade dada a esta convergência que surge o conceito da campanha internacional, “Another World Is Possible”, na qual a Rede Anticapitalista se insere e contribui para a sua construção. Damos as mãos – cumprindo normas sanitárias – a organizações anticapitalista de vários países, além do RUA, como a Abrir Brecha, do Estado Espanhol, a Communia, da Italia e a Democracia Socialista, da Argentina. Analisamos e aprofundamos o conhecimento da diversidade das situações de luta em cada uma destas distintas realidades. Interpretamos as diversas lutas – climática, feminista, antirracista, lgbtq+, contra a precariedade – à luz do conceito de interseccionalidade, inescapáveis e indissociáveis no combate ao capitalismo e impulsionadoras de coesão social.

Com esta campanha tomamos as redes sociais como espaço central para o combate ideológico e a disputa cultural, percebendo a necessidade de o ocupar perante a presença de discursos perigosos da extrema-direita nestes espaços, para que possamos retirar-lhes esta plataforma.

Através da campanha “Outro Mundo É Urgente” pretendemos apresentar uma resposta clara, em relação à concepção de regresso à “normalidade” – a normalidade era o problema – relacionando experiências concretas nacionais e enquadrando-as numa macro-narrativa de contestação do poder do grande capital. Queremos também estimular as ligações entre ativistas e camaradas que fazem a luta toda, um pouco por todo o mundo, criando e fortalecendo laços e intercâmbios, para que possamos construir pensamento estratégico o mais transversal possível.

Se a classe trabalhadora e os movimentos sociais não construirem respostas que nos assegurem um futuro, sabemos que mais ninguém o fará. Urge a construção de respostas socialistas. Está na altura de construir solidariedade internacional para enfrentar a crise na sua essência, nas raízes exploradoras, opressoras, racistas, ecocidas e imperialista do sistema capitalista.

Outro mundo é urgente!


Andreia Galvão e Sofia Oliveira são ativistas estudantis.