Anticapitalistas (Estado Espanhol)

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Artigo de Miguel Lobo Barbosa.


Decorreu em Madrid, entre os dias 7 e 9 de dezembro de 2017, o II Congresso dos Anticapitalistas (antigo Izquierda Anticapitalista), movimento sociopolítico que atua – desde 2015 e em virtude da orgânica definida no Vistalegre I (assembleia cidadã fundacional do Podemos) – sob a forma de associação política confederal. Estiveram presentes delegados e delegadas em representação dos diversos coletivos territoriais, bem como vários e várias militantes de base e um conjunto de convidados e convidadas internacionais.

Os primeiros dois dias do Congresso foram dedicados ao debate de propostas sobre temas políticos transversais e de grande importância para a organização: o ecossocialismo (destaque para as graves situações de seca e incêndios florestais); a organização do movimento LGBTI, nomeadamente face ao pink washing, ao “capitalismo rosa” e consequente apropriação da luta e das marchas do Orgulho numa lógica mercantilista. Debateu-se também a União Europeia e o Euro, com tónica acentuada na ilegitimidade das dívidas soberanas e na necessidade de criar desobediência aos tratados, promovendo uma via constituinte democrática internacionalista; a luta antifascista, planeando-se uma série de respostas mobilizadoras e diferentes das “clássicas”, que muitas vezes redundam em atitudes machistas, violentas e alienadoras; a organização dos e das jovens (apostando-se, como resposta à ausência de mobilização e conflito, na criação de uma estrutura própria à escala nacional, hegemónica e promovendo a interseção com outros movimentos); e, finalmente, a questão nacional dentro do Estado Espanhol. Este último debate foi naturalmente marcado pela evolução da situação na Catalunha, consensualizando-se que a abordagem “processista” levada a cabo pela maioria das organizações independentistas falhou e permanece sem soluções, tornando-se por isso evidente a necessidade de ir construindo uma nova aliança entre os diferentes povos do Estado espanhol, como sujeitos políticos em igualdade, dispostos a empreender novos processos constitucionais como condição necessária ao encontrar de novos tipos de relação (federal, confederal ou outra) livremente decidida entre todos.

A reta final do Congresso destinou-se às questões mais orgânicas e da dinâmica do movimento na vertente mais institucional, nomeadamente em termos de organização da militância e da articulação com o Podemos. Foram ainda votados os novos dirigentes da Secretaria Confederal e da Comissão de Garantias (sendo os votos depositados numa urna utilizada a 1 de outubro último, no referendo sobre a autodeterminação da Catalunha).