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Os efeitos das eleições europeias estão à vista. Na Europa, o PS prossegue a sua política de convergência com os partidos liberais, liderados por Macron, numa vaga promessa de enfrentamento aos ditames austeritários. Uma aliança do extremo-centro disposto a mudar alguma coisa para que tudo fique quase na mesma. Não por acaso, o mesmo PS escolheu em Portugal fazer das PPP a sua linha vermelha para uma nova Lei de Bases da Saúde, demonstrando o quanto está rendido aos interesses privados. A direita ensaia um regresso às origens, com o CDS a encarnar o velho espírito do partido do contribuinte e o PSD a arriscar a vertigem da redução do número de deputados, pondo em xeque o sistema de representação. O discurso da guerra de gerações, velho adágio da direita em tempos de crise, voltou pela mão de Marcelo, num tosco exercício de ventriloquismo que deu vida e corpo ao inevitável João Miguel Tavares. A desorientação continuará à direita, mais apostada em desmobilizar o eleitorado à esquerda do que em apresentar propostas programáticas. O Bloco de Esquerda prepara a sua campanha e não desvia a atenção das lutas sociais. O conflito em torno da Lei de Bases da Saúde representa um dos pontos centrais para um programa de governo capaz de apresentar soluções para o país: a defesa de serviços públicos universais e de qualidade. A persistência em manter a pressão em matérias tão importantes como o Estatuto do Cuidador Informal e a Lei de Bases da Habitação permitiu alcançar conquistas importantes, mantendo-se o bloqueio do PS no que toca às leis laborais, ao investimento público, ao controlo do sistema financeiro e aos ditames da União Europeia. Tal como consta na última resolução da Mesa Nacional, «nas próximas eleições legislativas, o Bloco de Esquerda apresentar-se-á com um programa ambicioso de respostas socialistas para as questões decisivas do país. Esse programa dará voz aos compromissos que o Bloco tem assumido para democratizar a economia, para pagar a dívida interna e investir na igualdade e coesão e para conquistar direitos fortes contra o conservadorismo e o preconceito. E terá como prioridade apresentar soluções concretas que se exigem neste tempo da emergência climática e de transição energética». A luta social não tira férias, mesmo tendo chegado o mês de julho. Importa olhar com atenção as novas mobilizações populares contra Bolsonaro no Brasil em torno da defesa da educação pública e dos direitos do trabalho, aprendendo com as experiências recentes das greves climáticas, apontando caminhos para a defesa transversal do Serviço Nacional de Saúde. As Marchas do Orgulho LGBTI+ acontecem um pouco por todo o país, estendendo-se a novas cidades, com uma marca anticapitalista bem presente, como resultado da luta e organização contra as tentativas de despolitização e pinkwashing. Aqui ao lado, julho será também o mês do Acampamento de Jovens Revolucionárias, lugar de encontro de centenas de militantes e ativistas que lutam pela transformação social em diferentes países. Dinamizado pela IVª Internacional desde 1984, o acampamento monta tenda em diferentes países. Em 2019 será no Estado Espanhol, entre 21 e 27 de julho. Centenas de jovens de toda a Europa e de outros países do mundo têm encontro marcado em La Granja, perto de Segóvia, a 80 km de Madrid, para discutirem as alternativas e construírem as redes de trabalho e de solidariedade necessárias. Faltas tu.