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Artigo de Sofia Oliveira (ativista da Greve Climática).

No passado dia 24 de maio, os jovens ocuparam o espaço público. Fizemos ecoar as nossas vozes em 125 países e 1664 cidades por todo o mundo. Em Portugal, o nível de mobilização foi elevadíssimo e ocupámos as ruas em mais de 50 localidades. Fomos muitas e muitos a exigir justiça climática.

Ao longo destes últimos dois meses aprendemos muito. Dessa aprendizagem surgiu um manifesto melhorado, que reconhece a intersecionalidade da luta climática e exige soluções para todas as pessoas que já sofreram com as escolhas políticas dos mais poluidores que tudo decidem. Exigimos o fim da precarização das nossas vidas, a criação de empregos para o clima e a consequente requalificação de todas as pessoas que trabalham em indústrias poluentes. Exigimos que o estatuto de refugiado climático seja levado a sério e que sejam dadas respostas a estas pessoas.

O 24 de maio marcou também o início da construção da próxima Greve Climática, que introduz uma novidade – será uma greve geral. O grande objetivo é estabelecer contacto com sindicatos e consciencializar toda a gente de que a crise climática é a maior crise que já enfrentámos e que nos irá afetar a todas e todos.

A força das e dos milhões de jovens que Greta Thunberg influenciou já mostrou resultados. A força europeia dos Verdes cresceu e contam agora com 69 deputados na sua bancada parlamentar. Olhamos para este crescimento como algo positivo. Contudo, sabemos que muitos destes deputados perpetuam políticas neoliberais e não mostram capacidade de fazer frente à voracidade do capitalismo, tentando encontrar soluções dentro do sistema, quando sabemos que este sistema económico não tem soluções para nos oferecer. Precisamos de uma força política que questione o sistema e que não tenha medo de tomar as decisões acertadas em nome do planeta.

Em Portugal, o PAN elegeu, pela primeira vez, um eurodeputado – é impossível não relacionar esta vitória com os movimentos de rua pelo Clima. No entanto, sabemos bem que o PAN não apresenta as respostas que precisamos. Com uma narrativa neoliberal, este partido “nem de direita, nem de esquerda” não se mostra capaz de fazer frente ao sistema capitalista. Sabemos que o PAN conquista muitas e muitos com promessas vazias, mas as e os jovens que ocupam as ruas compreendem que exigir justiça climática é exigir justiça social. Por outro lado, a ascensão da extrema-direita no Parlamento Europeu consagra mais um desafio para o qual a subida dos Verdes não surge como resposta, já que não usa a sua voz para fazer frente aos fascismos, para defender claramente os nossos interesses.

É preciso exigir às forças políticas no Parlamento Europeu que lutem contra a extrema-direita, que usem o espaço conquistado para lutar pelos direitos de quem perdeu tudo devido às alterações climáticas, que não propaguem falácias como “a nossa ideologia é a ecologia” – é necessária uma força de esquerda que salvaguarde o planeta e que lute pelo que é de todos e todas.

Apesar das nossas pequenas vitórias, a luta não fica por aqui. Em setembro tomaremos as ruas, mais uma vez, exigindo um sistema económico que apresente soluções para a crise climática, um sistema que ponha a vida das pessoas à frente do lucro do grande capital, um sistema que não se verga às exigências e vontade dos 1%.