Na primeira pessoa do plural

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Artigo de José Ricardo


A crise pandémica, a crise económica, a crise ecológica, a crise política. Cada uma delas com as suas características e com os seus desafios, todas preenchendo a agenda política, exigindo soluções. É neste contexto que ocorrem as eleições presidenciais que se avizinham.

A candidatura de Marisa Matias nestas eleições é a única que representa uma resposta a todas elas. Representa quem tem vindo, década atrás de década, a exigir o investimento necessário para a salvaguarda do nosso sistema nacional de saúde. Representa quem se une na luta por mais justiça laboral, por relações contratuais que permitam uma vida digna e estável, pela defesa dos que (alguns mais uma vez) terão de enfrentar uma crise económica sem perspetivas nem oportunidades. Representa quem procura uma resposta digna da urgência que as alterações climáticas requerem, a transição não pode ser apenas energética, não é sustentável manter o sistema de produção e de consumo alterando apenas o combustível. Representa, também, a união pela liberdade. A liberdade de todas. A liberdade de amar, de viver, de ser quem somos. Este ano, em diferentes momentos, ouviram-se apelos a alianças apáticas que apenas silenciariam todas estas vozes que Marisa Matias representa com a sua candidatura e que fariam do “medo” a única alternativa ao estado das coisas.

Foi também necessária a coragem de ir para as ruas. A desconfiança e a precaução que a doença suscita não foram aliadas dos que, nos últimos dois meses, foram trabalhando na sua candidatura. É difícil guardar distância quando é a vontade de estar próximo que nos move. É difícil manter a máscara quando são os sorrisos que demonstram a seriedade das nossas propostas. Mas foi nas ruas que percebemos que a mensagem se transmite. Foi lá que descobrimos quem mais se identifica com a candidatura de Marisa Matias, com as suas propostas, com os valores que representa, com a alternativa que somos. O proselitismo é facilitado pela justiça das nossas ideias.

A mudança para a primeira pessoa do plural é demonstrativa do trabalho coletivo necessário durante a campanha. A sua coordenação, a organização logística, a disponibilidade de cada um que se envolveu, seja de qual forma, foram correspondidos pela resposta positiva de milhares de cidadãos que acederam ao nosso repto. Os momentos, as memórias que se guardam e o sentimento de camaradagem que se reforça foram também pontos positivos da caminhada até agora percorrida.

Sabemos, contudo, que o caminho ainda agora se iniciou. Ainda faltam muitos passos, certos e determinados, no sentido de uma campanha que una os que desejam a mudança. A mudança de paradigma social, económico e político. A transformação desta numa sociedade mais justa, mais livre, mais responsável.

A Marisa Matias e a sua candidatura representam estas as vozes que rejeitam o silenciamento, os esforços de quem acredita na busca por uma utopia terrena, a beleza e a justiça das pessoas e das ideias que a acompanham.