Sermos clarxs é meio caminho andado

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Editorial da Anticapitalista | Maio 2018

Esta revista é escrita e discutida por militantes do Bloco de Esquerda que têm uma preocupação, aqui reafirmada em todos os números e de novo no sexto número desta série: estimular, constituir, conhecer e divulgar todas as experiências de trabalho de base e de ativismo em lutas sociais. Queremos ajudar a que o Bloco as respeite e estimule. Queremos refletir sobre as formas de diálogo, de unidade e de mobilização que permitam constituir movimentos novos ou reforçar movimentos existentes. Não nos ocupamos de disputas eleitorais internas, de lugares em futuras listas parlamentares, de mailing lists com interpretações de reuniões e de significados cabalísticos. As listas para a Convenção do Bloco não são discutidas aqui, apoiamos o mandato da Catarina Martins, reconhecemo-nos plenamente nele, não precisamos de acrescentar mais nada. O que aqui nos interessa é o trabalho e o ativismo.

Além disso, sentimo-nos confortáveis com a intervenção institucional e na formação de opinião pública que resulta do debate da Mariana Mortágua com o ministro das finanças, da Marisa Matias sobre as eleições europeias, do João Semedo ou do Moisés Ferreira sobre a defesa do Serviço Nacional de Saúde, do Zé Soeiro sobre xs precárixs, da Sandra Cunha sobre paridade ou do Jorge Costa sobre as rendas da energia, de textos do Mamadou Ba contra historiadorxs racistas ou da Joana Mortágua sobre o golpe brasileiro, para só dar alguns exemplos. Entusiasma-nos a apresentação pela Catarina Martins de uma frente europeia com o Podemos e a França Insubmissa. A voz de um partido faz-se com ideias e com posições fortes. Tudo isso é trabalho institucional e de mobilização eleitoral, sem a qual não há disputa política de massas. Não é o que falta ao Bloco, é nisso que aprendeu muito ao longo do tempo e acumulou força.

Mesmo discutindo esses temas e essas ideias – nesta edição voltamos ao Maio de 68 ou a um livro sobre alterações climáticas –, o que tem sido e será o essencial desta revista é o ativismo. Porque isso, sim, é o que falta ou que tem de ser reforçado no nosso movimento. Sem ativismo, o institucionalismo torna-se a única forma de representação política. Sem movimento estudantil e organização feminista, não há luta e aprendizagem de jovens. Sem trabalho de base, não se criam novas forças militantes. Sem sindicatos ativistas e democratizados, não há forma de conseguir transformar a relação de forças na produção. Por isso, esta revista estimula militância, regista experiências, ouve contributos, e fá-lo sem qualquer sectarismo: todo o ativismo nos interessa, convidamos quem se mexe a contar da sua luta e da sua ideia, queremos que todos os e todas as militantes se sintam em casa nesse esforço e neste espaço.

Assim, esta edição reflete sobre a organização dos precários e precárias do Estado, sobre lutas e coletivos estudantis, sobre a disputa na cultura e apresenta agendas de atividades que vão marcar o mês em que se chega aos 50 anos do Maio de 68.