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Artigo de Rodrigo Rivera.

A 3.ª Conferência da Rede Anticapitalista aconteceu no passado dia 19 de janeiro, em Lisboa. Sob o lema “Vencer os medos”, a discussão e o debate passaram por temas de política nacional e internacional, com forte incidência no ascenso da extrema-direita e no processo de desintegração europeia, e pelos diversos ativismos em que estamos implicadas e implicados: combate à precariedade laboral, defesa da legalização da canábis para fins recreativos, feminismo, justiça climática, direito à habitação, movimento estudantil…

Foi eleita uma nova equipa – paritária – de coordenação da Rede para o próximo ano, da qual fazem parte o Adriano Campos, a Ana Feijão, a Andreia Quartau, o Bruno Maia, o João Camargo, o Jorge Costa, a Mafalda Escada, o Marco Marques, a Maria Manuel Rola, a Raquel Azevedo e a Sofia Roque.

Na página da Rede Anticapitalista, podes ler a resolução aprovada, na qual reafirmamos o nosso empenhamento na construção do Bloco de Esquerda e o nosso compromisso com a orientação da Convenção do movimento, e apontamos as nossas prioridades no trabalho de base e no ativismo social. No entanto, aqui ficam umas notas sobre alguns debates ocorridos.

A ameaça da extrema-direita cresce em todo o mundo

A globalização financeira e o avanço dos cânones neoliberais resultaram numa hipermobilidade do capital, enquanto se extremavam as condições precárias de vida das populações. A receita austeritária aumentou as desigualdades e o isolamento, levando a uma explosão dos ressentimentos. O ódio e o medo passaram a ter campo aberto, reagrupando os setores saudosistas e extremistas em busca do poder. O discurso evoluiu da mera apologia xenófoba e racista para um discurso de contestação ao sistema global e à forma de intermediação política.

Em Portugal, a extrema-direita começa a ser normalizada em alguns meios de comunicação social e forma novos partidos. O Bloco deve estar sempre na frente do combate às forças antidemocráticas, recusando a sua normalização no espaço público e no sistema político.

Justiça climática

A aceleração das alterações climáticas funciona como catalisador das contradições e das desigualdades, promovendo a degradação da viabilidade dos territórios, migrações em massa, fenómenos climáticos extremos, redução da disponibilidade de matérias-primas. O capitalismo não tem qualquer solução para esta crise da civilização, enquanto a extrema-direita se encavalita nos efeitos do aquecimento do planeta para promover a agenda do ódio e do genocídio.

Portugal: o Bloco faz a diferença

Nos últimos três anos, o Bloco fez a diferença na vida das pessoas. Ao travar a formação de um novo governo das direitas, foi capaz de impulsionar uma agenda pelos direitos e conquistas populares. Não temos ilusões sobre os limites deste processo e não nos enganamos sobre a sua realidade: foi um pequeno avanço que permitiu recuperar iniciativa e confiança social, mas as questões essenciais da relação de forças na sociedade portuguesa não foram alteradas e exigirão um combate de longo fôlego que depende da força da esquerda. E essa força vem da base.

A Rede Anticapitalista e a mobilização de base

A militância e a mobilização de base é o que permite a um partido de esquerda radicalizar a agenda pela transformação social, ao mesmo tempo que convoca as formas coletivas de organização contra o isolamento e o imobilismo social. A Rede Anticapitalista bate-se por uma ação que promova o encontro de lutas, gerações e aprendizagens políticas diferentes. Ao longo dos últimos dois anos, promovemos reuniões mensais de discussão e partilha, estando presentes nos movimentos sociais e na militância de base do Bloco.